Educação como mercadoria: o lucro educacional como regra do capitalismo
- Alex Sander da Silva – Doutor em Educação e
- 26 de ago. de 2015
- 3 min de leitura

No capitalismo a norma é o lucro, a exceção é a regra, o limite é a exploração e a conseqüência é a totalização do mesmo. A sua atualidade e atuação, fincada na máxima “roupagem” e “blindagem” ideológica, põe em sustentação o mais profundo e perverso totalitarismo do mercado, disfarçado, sobretudo no conceito de liberdade e na máxima da exploração do trabalho e do “fetichismo da mercadoria”.
Karl Marx (1818-1883), na obra O Capital ao tratar sobre o caráter “misterioso da mercadoria”, cunha o conceito de fetichismo da mercadoria, sob o ponto de vista da sua teoria do valor. A produção de mercadorias sedimentadas nas relações de dominação de quem detém os meios de produção, na visão de Marx, tornam-se “fantasmagórica” na medida em que ocultam as características da própria relação de trabalho. E isso se deve ao fato de que a mercadoria possui um duplo sentido de valor: um de uso e outro de troca.
Segundo Marx, o modo de fetiche da mercadoria “não provém do valor de uso, nem tampouco dos fatores determinantes do valor” (p. 159). Mas decorre do próprio caráter social do trabalho que produz as mercadorias. Nesse aspecto, o processo pelo qual torna a mercadoria como que tivesse vida própria, faz com que se configure o fetichismo da mercadoria.E é na forma social da produção desse fetichismo que há uma inversão entre o papel dos seres humanos e as mercadorias.
Estas podem se relacionar socialmente através de troca, e que para isso aconteça é preciso que seja operada uma abstração das suas diferenças. Por exemplo, sapatos e calças são diferentes, para que seja possível a troca de mercadorias diferentes, é preciso estabelecer um critério que as iguala e as mede comparativamente. Desse modo, torna-se possível determinar quanto uma mercadoria vale em relação à outra, de acordo com a quantidade de trabalho socialmente necessária para a sua produção de ambas.
Educação como mercadoria: continuação do fetichismo do lucro
No âmbito das análises sobre a educação no capitalismo, o tema do fetichismo da mercadoria é um importante ponto de partida para compreender a lógica de mercado que invade progressivamente a organização educacional. A educação encontra-se inserida numa problemática sociedade de mercados capitalistas, e uma das consequências desse processo, são as tensões e afecções dos interesses sociais antagônicos.
Os destinos da educação, desse modo, parecem estar diretamente articulados às demandas de um mercado insaciável e da sociedade dita do “conhecimento”. Como decorrência, os sistemas educacionais dos vários países sofrem pressões para construir ou consolidar escolas mais eficientes e aptas a preparar as novas gerações e, além da atualização do sistema escolar, cria-se mecanismos para regulação e controle de uma educação falsamente continuada.
Além de uma crescente política de privatização da educação, os processos institucionais e pedagógicos são submetidos cada vez mais aos processos empresariais de organização – mais qualidade com menos custos – essa é a lógica do sistema. Os ditos “reformadores da educação”, alegam preocupação quanto ao desempenho e eficiência da educação, propõem modelos que recomendam aos governos uma articulação entre público-privado, as quais revelam o caráter privatista das reformas educacionais, que impõe a lógica do mercado ao setor educativo. A norma é lucro a qualquer custo.
[1] Texto completo publicado na Revista Reflexão e Ação da UNESC. v. 19, n. 1 (2011).
Referencias
MARX, Karl. Sociologia. Organizador. Otavio Ianni. 7. ed. São Paulo: Ática, 1992.
______. Salário, preço e lucro. São Paulo: Abril Cultural, 1982. (Coleção Os Economistas).